O abandonar da inocência tem um preço.
Certo que um novo mundo reluz brilhante diante de seus olhos,
Mas há um desprender-se pesaroso
Que parece nunca se esvair completamente.
O novo homem é seguro de si.
Exibe sorrisos e histórias de vencedor,
Porém há um choro contido de criança escondida atrás da porta,
Que repercute insistente entre os vãos do que seria sua nova estrutura.
Ele bate no peito com a valentia de quem sabe da vitória.
E sofre calado quando sente que matou a semente da flor que germina pureza.
Dorme e acorda questionando-se se o retorno é possível.
Bebe os aplausos dos que não enxergam o copo vazio.
Acalenta o sonho de se ver redimido.
Ousou desvestir-se das amarras do passado.
Abraçou a experiência do igualar-se à multidão.
Foi feliz nos pequenos lampejos de sentido.
Mas ainda chora, pois sua troca de pele não ocorre sem a perda de sangue.
Coleciona títulos de meritoso descaso.
Submete à inquisição de sua consciência a sua trajetória de alterados desejos.
Deixa arder na fogueira os impulsos que saciam sua fome do novo.
Dorme nas cinzas da imensidão de corpos do acaso.
Relata suas viagens com orgulho de falso guerreiro.
Reencontra sua verdade nos atropelos da idade avançada.
Resplandesce por não fugir mais uma vez à luta.
Compreende que tudo isso foi preciso.
Conclama a platéia a ovacionar sua ousadia.
Finca os pés novamente na única certeza que lhe resta:
De que não tem escolha diante da vida,
E que pra estar vivo é preciso viver.
"Ao escolher palavras com que narrar minha angústia, eu já respiro melhor. A uns Deus quer doentes, a outros quer escrevendo." Adélia Prado
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Mergulhos
O que vou me tornar se, de repente, decidir não ser?
Qual será o meu encaixe?
Em que realidade eu viverei?
Mesmo no meio do fogo, quero tomar tranquilo banho de chuva
Não sei como falar de flores num mundo em que se planta status e se colhem egos
Como apresentar a dança da minha tribo?
Quantos dela ainda restam?
Já não se cansaram de sonhos e agora também se vestem de egos?
Por que o medo de que identifiquem o meu signo?
De que decifrem a minha língua?
Não tenho por ela o devido respeito?
Nem mesmo eu acredito na bandeira que levanto?
Recusar a oferta do baile das delícias é prudência ou covardia?
Fugir do confronto é digno de quem se diz sabedor da bondade?
Escondendo-se os bons, quem restará para testemunhar a favor do bem?
E se houver um refém a ser salvo?
Que fazer com a esperança que o manteve vivo até agora?
A fraqueza do medo impediu o sucesso de suas lágrimas
Vai deixá-lo mais um tempo à espera de um resgate
Nessa noite, não foi o desprendimento da vaidade quem venceu
Mas o orgulho travestido de timidez,
Que não suportou a possibilidade de se ver mais um em meio a tantos,
Ou quem sabe menos que isso até.
Qual será o meu encaixe?
Em que realidade eu viverei?
Mesmo no meio do fogo, quero tomar tranquilo banho de chuva
Não sei como falar de flores num mundo em que se planta status e se colhem egos
Como apresentar a dança da minha tribo?
Quantos dela ainda restam?
Já não se cansaram de sonhos e agora também se vestem de egos?
Por que o medo de que identifiquem o meu signo?
De que decifrem a minha língua?
Não tenho por ela o devido respeito?
Nem mesmo eu acredito na bandeira que levanto?
Recusar a oferta do baile das delícias é prudência ou covardia?
Fugir do confronto é digno de quem se diz sabedor da bondade?
Escondendo-se os bons, quem restará para testemunhar a favor do bem?
E se houver um refém a ser salvo?
Que fazer com a esperança que o manteve vivo até agora?
A fraqueza do medo impediu o sucesso de suas lágrimas
Vai deixá-lo mais um tempo à espera de um resgate
Nessa noite, não foi o desprendimento da vaidade quem venceu
Mas o orgulho travestido de timidez,
Que não suportou a possibilidade de se ver mais um em meio a tantos,
Ou quem sabe menos que isso até.
domingo, 19 de setembro de 2010
Abismo
Passos sobre um cemitério de nomes partidos
Conversa de mortos zumbificados
Promessas de um paraíso infernal
Paixões ardentes de efemeridade extrema
Rostos que se agonizam mutuamente
Rasa luxúria ante a profunda carência
Relutância de anjo caído
Malícia de demônio infantil
Fogo represado
Recorrência contínua
Quando a luz no fim do túnel?
Haverá forças para voltar?
Restará íntegro o que um dia foi?
Quão inabalável é a pureza de quem se rende?
Por quantas eras se arrasta o teu carma?
Fecha os olhos que a noite te abraça
E logo o dia te renascerá.
Conversa de mortos zumbificados
Promessas de um paraíso infernal
Paixões ardentes de efemeridade extrema
Rostos que se agonizam mutuamente
Rasa luxúria ante a profunda carência
Relutância de anjo caído
Malícia de demônio infantil
Fogo represado
Recorrência contínua
Quando a luz no fim do túnel?
Haverá forças para voltar?
Restará íntegro o que um dia foi?
Quão inabalável é a pureza de quem se rende?
Por quantas eras se arrasta o teu carma?
Fecha os olhos que a noite te abraça
E logo o dia te renascerá.
sábado, 18 de setembro de 2010
O Canto do Mar
Aceitei o barulho do mar,
Mesmo que de assalto me encontrasse fisgado.
Com passos firmes na areia molhada, eu soube ouvir.
Ele me cantava com sua voz de imensidão
Pediu-me que deixasse a música de outrora de lado,
Que me inebriasse ao sabor do vento e à quentura do sol
E mais uma vez, meu velho amigo me guiou.
Dancei no vai-e-vem da maré e entre a multidão de passos de fundura passageira.
Depois de ouvir o dueto de ondas e vento,
Já me enxergava refeito de novo.
Íntimo relaxado, corpo ofegante, mergulhei na entrega.
Peito preenchido ainda pelo fascínio do encontro.
Mais ainda, pelo mistério do reencontro.
Saciado na função da justa luta travada,
Tomei-me guerreiro da cruzada de meus próprios medos.
Hasteei minha bandeira da paz quando cruzei a distância entre o meu desejo e o meu receio.
Bravo cavaleiro, guarda tua espada e volta para o teu castelo!
Celebra os louros de tuas conquistas
Publica o canto de tuas vitórias
Adormece na paz do entendimento
Espera certeiro a serenidade das horas.
Mesmo que de assalto me encontrasse fisgado.
Com passos firmes na areia molhada, eu soube ouvir.
Ele me cantava com sua voz de imensidão
Pediu-me que deixasse a música de outrora de lado,
Que me inebriasse ao sabor do vento e à quentura do sol
E mais uma vez, meu velho amigo me guiou.
Dancei no vai-e-vem da maré e entre a multidão de passos de fundura passageira.
Depois de ouvir o dueto de ondas e vento,
Já me enxergava refeito de novo.
Íntimo relaxado, corpo ofegante, mergulhei na entrega.
Peito preenchido ainda pelo fascínio do encontro.
Mais ainda, pelo mistério do reencontro.
Saciado na função da justa luta travada,
Tomei-me guerreiro da cruzada de meus próprios medos.
Hasteei minha bandeira da paz quando cruzei a distância entre o meu desejo e o meu receio.
Bravo cavaleiro, guarda tua espada e volta para o teu castelo!
Celebra os louros de tuas conquistas
Publica o canto de tuas vitórias
Adormece na paz do entendimento
Espera certeiro a serenidade das horas.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Lições
Parece que por fim começo a aprender
Lento como só o tempo sabe ensinar
Porém nunca tardio, pois estou vivo.
A didática da repetição cíclica é inexorável
Implacável assimilação
Sinto-me velho
Não a velhice da carne que definha e fenece
Apenas o saber de mim grão que floresceu
Virei planta crescida e meu destino é dar frutos
Falaram-me da contemplação
Se sou árvore de firme caule,
Tiro do vento que me balança os galhos a sabedoria que me renova as folhas
Firmes raízes me seguram quando tempestade
Foram cavar na terra das experiências vividas a força que as nutre e as mantém fortes
Que bela paisagem formou-se ao meu redor
Certo que não sou floresta tamanha a pequenez de minha formação ainda
Mas, sim, já me sinto jardim,
Pois que rosas de perfume único se avizinham da base que me firma
A grama é verde nos dias de sol
E é irresistível de brincar nos dias de chuva
Tanto se passou até chegar até aqui
Vejo então que esse é o melhor lugar
Porque é feito de tudo que eu tenho presente
É presenteado por tudo que eu tenho feito
É o retrato de minha condição
Meu testamento em vida
Minha herança ante a não morte
Meu resgate no momento oportuno
Minha bênção por querer acreditar
Minha insistência em me fazer feliz
O reconhecimento de que serei eterno
Assim como o vento, a terra, a relva
O aconchego do colo de mãe
O abraço saudoso dos que se obrigam distantes
A aliança de sangue do bem-querer familiar
A celebração da união dos que se amam
Volto pro berço que me criou para fazer ninar os que me aguardam
Retorno homem, senhor de minhas conquistas
Peço-lhes licença para falar de mim e de quem me tornei também por obra deles
Trago comigo presentes encantados do meu novo mundo
Ofereço-lhes a sombra da árvore que me tornei
Convido-lhes a um piquenique à beira-mar
Celebro a nossa história de tantas vidas
Anseio pintar um quadro com nossa fotografia
Para colorir com minhas novas tintas a impressão que o negativo não capta
Quero sujar minhas mãos com as cores dos nossos corações
Ah, saudade que não me faz calar!
Ê, vida que tanto me encanta!
Lento como só o tempo sabe ensinar
Porém nunca tardio, pois estou vivo.
A didática da repetição cíclica é inexorável
Implacável assimilação
Sinto-me velho
Não a velhice da carne que definha e fenece
Apenas o saber de mim grão que floresceu
Virei planta crescida e meu destino é dar frutos
Falaram-me da contemplação
Se sou árvore de firme caule,
Tiro do vento que me balança os galhos a sabedoria que me renova as folhas
Firmes raízes me seguram quando tempestade
Foram cavar na terra das experiências vividas a força que as nutre e as mantém fortes
Que bela paisagem formou-se ao meu redor
Certo que não sou floresta tamanha a pequenez de minha formação ainda
Mas, sim, já me sinto jardim,
Pois que rosas de perfume único se avizinham da base que me firma
A grama é verde nos dias de sol
E é irresistível de brincar nos dias de chuva
Tanto se passou até chegar até aqui
Vejo então que esse é o melhor lugar
Porque é feito de tudo que eu tenho presente
É presenteado por tudo que eu tenho feito
É o retrato de minha condição
Meu testamento em vida
Minha herança ante a não morte
Meu resgate no momento oportuno
Minha bênção por querer acreditar
Minha insistência em me fazer feliz
O reconhecimento de que serei eterno
Assim como o vento, a terra, a relva
O aconchego do colo de mãe
O abraço saudoso dos que se obrigam distantes
A aliança de sangue do bem-querer familiar
A celebração da união dos que se amam
Volto pro berço que me criou para fazer ninar os que me aguardam
Retorno homem, senhor de minhas conquistas
Peço-lhes licença para falar de mim e de quem me tornei também por obra deles
Trago comigo presentes encantados do meu novo mundo
Ofereço-lhes a sombra da árvore que me tornei
Convido-lhes a um piquenique à beira-mar
Celebro a nossa história de tantas vidas
Anseio pintar um quadro com nossa fotografia
Para colorir com minhas novas tintas a impressão que o negativo não capta
Quero sujar minhas mãos com as cores dos nossos corações
Ah, saudade que não me faz calar!
Ê, vida que tanto me encanta!
Encanto dos Olhos
Pergunta-me hoje se acredito no amor!
Ri de meus olhos e não esperes respostas
Todo o meu corpo fala por mim
Já não me pertencem meus pensamentos
Perderam-se na renovação da promessa
Confirmaram-se na relutância do inevitável
Hei sempre de curvar-me a sua força que vem e me toma de assalto
É do encanto dos olhos que falo
É da promessa do momento do beijo
Há de ser o encaixe do abraço a minha eterna rendição
Não espero do amor que me habite perene e imutável,
Mas que me renove sempre, singelo, menino e faceiro
E se mesmo assim insistes em saber de minha crença,
Abre tua janela e veja entrar o dia
É assim que me sinto quando o amor me visita
Brisa quente matutina que afasta o frio temeroso da noite vazia
Ri de meus olhos e não esperes respostas
Todo o meu corpo fala por mim
Já não me pertencem meus pensamentos
Perderam-se na renovação da promessa
Confirmaram-se na relutância do inevitável
Hei sempre de curvar-me a sua força que vem e me toma de assalto
É do encanto dos olhos que falo
É da promessa do momento do beijo
Há de ser o encaixe do abraço a minha eterna rendição
Não espero do amor que me habite perene e imutável,
Mas que me renove sempre, singelo, menino e faceiro
E se mesmo assim insistes em saber de minha crença,
Abre tua janela e veja entrar o dia
É assim que me sinto quando o amor me visita
Brisa quente matutina que afasta o frio temeroso da noite vazia
domingo, 29 de agosto de 2010
Sonâmbulo
Onde estou que não acordei?
Que fazes tu errante que não me tomas de volta?
Não quero do sol o calor amanhecido, mil vezes teu abraço
Tira-me as marteladas que me zangam irritantemente
É de beijos macios que preciso
Planos de um dia que há muito não tenho
Não de hoje os reservo pra ti, pra nós
Não sou avesso a obrigações
Ao contrário, cumprí-las me faz senhor do meu tempo
Mas hoje, não.
Hoje queria a leve entrega do embalo cuidadoso
Deixar-me guiar pra onde teu desejo realiza a minha saciedade
Saber de mim criança em teu colo de ninar
Pelo caminho dos teus olhos enxergar tua alma
Ouvir teu riso solto de satisfação
Sentir que me queres não pela fala, mas pela falta de ar que te provoco
O arrepio de tua pele é o melhor atesto da tua vontade de mim
Se tão irremediavelmente perfeito é tudo isso que brota de nós dois,
Por que então me deixas sonhando?
Vem com o aval de quem sabe de mim teu e, por fim, me acorda.
Que fazes tu errante que não me tomas de volta?
Não quero do sol o calor amanhecido, mil vezes teu abraço
Tira-me as marteladas que me zangam irritantemente
É de beijos macios que preciso
Planos de um dia que há muito não tenho
Não de hoje os reservo pra ti, pra nós
Não sou avesso a obrigações
Ao contrário, cumprí-las me faz senhor do meu tempo
Mas hoje, não.
Hoje queria a leve entrega do embalo cuidadoso
Deixar-me guiar pra onde teu desejo realiza a minha saciedade
Saber de mim criança em teu colo de ninar
Pelo caminho dos teus olhos enxergar tua alma
Ouvir teu riso solto de satisfação
Sentir que me queres não pela fala, mas pela falta de ar que te provoco
O arrepio de tua pele é o melhor atesto da tua vontade de mim
Se tão irremediavelmente perfeito é tudo isso que brota de nós dois,
Por que então me deixas sonhando?
Vem com o aval de quem sabe de mim teu e, por fim, me acorda.
sábado, 21 de agosto de 2010
Chuva que não pára
Deus, quanta sede!
A água de beber que me refresca não me sacia
Sinto no canto da boca a água que cai do céu
Bom saber que ainda chove por essas terras
Chuva de veraneio, com brisa
E não esqueça do vento
Ah, vento maroto que me sopra a nuca!
Folhas trazidas por ele sancionam antigos desejos
Tudo bem que o que foi tempestade hoje é garoa
Mas nada como deixar-se banhar pela pureza da água que vem de cima
Águas que já fizeram crescer carvalhos
Hoje elas apenas regam as flores da cova dos que morreram nas tempestades
E foram tantos os mortos nos últimos tempos
Alguns se foram para sempre
Mas nunca deixarão de servir de alimento a tudo que floresceu ao redor
Para os que insistem
Sempre existirão os fantasmas
Espíritos que se recusam a fazer a passagem
Volta e meia eles aparecem para beber na fonte
O sabor não é mais o mesmo, mas a essência sempre será
E é da essência que falo
Por ela ainda insisto
Com ela conclamo a criança que nunca dorme a brincar na chuva
Desnuda, liberta, enriquecida
Num paradoxo de tamanho entre o que é grande por dentro e pequeno por fora,
No afã de tornar chuva em rio e rio em mar,
Perco-me nesse mar
Pois é nele que tudo finda
Será nele meu último mergulho
Antes de me ascender chuva
E mais uma fez voltar a regar as flores
A água de beber que me refresca não me sacia
Sinto no canto da boca a água que cai do céu
Bom saber que ainda chove por essas terras
Chuva de veraneio, com brisa
E não esqueça do vento
Ah, vento maroto que me sopra a nuca!
Folhas trazidas por ele sancionam antigos desejos
Tudo bem que o que foi tempestade hoje é garoa
Mas nada como deixar-se banhar pela pureza da água que vem de cima
Águas que já fizeram crescer carvalhos
Hoje elas apenas regam as flores da cova dos que morreram nas tempestades
E foram tantos os mortos nos últimos tempos
Alguns se foram para sempre
Mas nunca deixarão de servir de alimento a tudo que floresceu ao redor
Para os que insistem
Sempre existirão os fantasmas
Espíritos que se recusam a fazer a passagem
Volta e meia eles aparecem para beber na fonte
O sabor não é mais o mesmo, mas a essência sempre será
E é da essência que falo
Por ela ainda insisto
Com ela conclamo a criança que nunca dorme a brincar na chuva
Desnuda, liberta, enriquecida
Num paradoxo de tamanho entre o que é grande por dentro e pequeno por fora,
No afã de tornar chuva em rio e rio em mar,
Perco-me nesse mar
Pois é nele que tudo finda
Será nele meu último mergulho
Antes de me ascender chuva
E mais uma fez voltar a regar as flores
terça-feira, 27 de julho de 2010
Tudo Que Quero
Chega mais uma vez aquele dia
Que começa como todos os outros assim começam
Mas por que é diferente?
Afinal, o sol não nasce no mesmo horizonte de sempre?
Só porque os meus horizontes contabilizam mais um ciclo a cor do dia é outra?
Sim, pior (ou melhor) que sim
Acordo com minha cota de carência já no vermelho
Quero todos os abraços, todos as felicitações, todas as saudades e todos os "te quero" que puder ouvir
Lágrimas de quem me trouxe a esse mundo
Orgulho de quem me viu crescer
Emoção de quem sabe que pode contar comigo
Felicidade de quem me tem por perto, mesmo que longe ao mesmo tempo
Quero a promessa de amor que nunca vivi
A certeza de que um dia ele virá
O reencontro dos beijos que se atraem
O sussuro ardente do desejo contido
Saber que nas entrelinhas ainda está o maior dos encantos
E mesmo que nada disso passe de um devaneio de um jovem senhor que mais de si acha que sabe
Quero me entregar à delícia de em tudo isso acreditar
Minutos que congelam na risada gostosa que consigo arrancar
A entrega da hesitação
A inquietude que o reconhecimento do outro lhe traz
Quero a lembrança do olhar passageiro
A consideração do bom exemplo
A inspiração do trabalho bem realizado
Quero a noite que se aproxima
A insegurança do sucesso esperado
O não saber no que dá a junção das partes
Os dissabores do que me foge ao controle
A recordação inesperada
A certeza de que estou no caminho certo
E acima de tudo, se do mundo acreditar um jardim
Quero a certeza de que as sementes que plantei o ajudaram a estar mais florido.
Que começa como todos os outros assim começam
Mas por que é diferente?
Afinal, o sol não nasce no mesmo horizonte de sempre?
Só porque os meus horizontes contabilizam mais um ciclo a cor do dia é outra?
Sim, pior (ou melhor) que sim
Acordo com minha cota de carência já no vermelho
Quero todos os abraços, todos as felicitações, todas as saudades e todos os "te quero" que puder ouvir
Lágrimas de quem me trouxe a esse mundo
Orgulho de quem me viu crescer
Emoção de quem sabe que pode contar comigo
Felicidade de quem me tem por perto, mesmo que longe ao mesmo tempo
Quero a promessa de amor que nunca vivi
A certeza de que um dia ele virá
O reencontro dos beijos que se atraem
O sussuro ardente do desejo contido
Saber que nas entrelinhas ainda está o maior dos encantos
E mesmo que nada disso passe de um devaneio de um jovem senhor que mais de si acha que sabe
Quero me entregar à delícia de em tudo isso acreditar
Minutos que congelam na risada gostosa que consigo arrancar
A entrega da hesitação
A inquietude que o reconhecimento do outro lhe traz
Quero a lembrança do olhar passageiro
A consideração do bom exemplo
A inspiração do trabalho bem realizado
Quero a noite que se aproxima
A insegurança do sucesso esperado
O não saber no que dá a junção das partes
Os dissabores do que me foge ao controle
A recordação inesperada
A certeza de que estou no caminho certo
E acima de tudo, se do mundo acreditar um jardim
Quero a certeza de que as sementes que plantei o ajudaram a estar mais florido.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
A Poesia do Encontro
" Fernando Pessoa escreveu a declaração de amor mais bonita e profunda que conheço:
Quando te vi, amei-te já muito antes.
Tornei a achar-te quando de encontrei.
Veja, é uma coisa esquisita, há aí uma sintaxe atrapalhada: Quando te vi, amei-te já muito antes. O que ele está dizendo é: ' eu já amava você numa imagem que morava em mim, de modo que encontrar com você não foi encontrar com você, mas reencontrar com a coisa que eu já amava'. Essa é a experiência poética por excelência: repentinamente ela revela uma imagem que já existia em nós.
Isso também vale para a música. Por exemplo, nós nos comovemos com uma música. Uma boa explicação disso vem dos gregos, de Platão. Não nos sentimos tocados porque a música seja bela. O que faz com que ela tenha tal efeito sobre nós é que, na verdade, ela já existe dentro da pessoa. O que o artista faz é apena tocar para que a Bela Adormecida que há dentro de nós ressoe.
Voltando à questão da imagem. A gente capta aquela imagem e, de alguma maneira, é um pedaço da alma da gente. É por isso que é uma experiência não de conhecer, mas de reconhecer. A pessoa não se encontra, se reencontra, o que é uma das coisas fantásticas da poesia. "
Trecho do livro A Poesia do Encontro, de Elisa Lucinda e Rubem Alves.
Quando te vi, amei-te já muito antes.
Tornei a achar-te quando de encontrei.
Veja, é uma coisa esquisita, há aí uma sintaxe atrapalhada: Quando te vi, amei-te já muito antes. O que ele está dizendo é: ' eu já amava você numa imagem que morava em mim, de modo que encontrar com você não foi encontrar com você, mas reencontrar com a coisa que eu já amava'. Essa é a experiência poética por excelência: repentinamente ela revela uma imagem que já existia em nós.
Isso também vale para a música. Por exemplo, nós nos comovemos com uma música. Uma boa explicação disso vem dos gregos, de Platão. Não nos sentimos tocados porque a música seja bela. O que faz com que ela tenha tal efeito sobre nós é que, na verdade, ela já existe dentro da pessoa. O que o artista faz é apena tocar para que a Bela Adormecida que há dentro de nós ressoe.
Voltando à questão da imagem. A gente capta aquela imagem e, de alguma maneira, é um pedaço da alma da gente. É por isso que é uma experiência não de conhecer, mas de reconhecer. A pessoa não se encontra, se reencontra, o que é uma das coisas fantásticas da poesia. "
Trecho do livro A Poesia do Encontro, de Elisa Lucinda e Rubem Alves.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Deixar-se
Na inspiração da música eu me refaço
Na intimidade do momento eu me revejo
Na calma da paciência eu deveria saber esperar
Na insistência do bem eu me respeito
Na surpresa do instante eu me fascino
Nos olhos do encontro cresce a minha alma
Na indefinição do que é novo eu me atormento
No aconchego do abraço eu me dôo
Na iminência do amor eu me rendo.
Na intimidade do momento eu me revejo
Na calma da paciência eu deveria saber esperar
Na insistência do bem eu me respeito
Na surpresa do instante eu me fascino
Nos olhos do encontro cresce a minha alma
Na indefinição do que é novo eu me atormento
No aconchego do abraço eu me dôo
Na iminência do amor eu me rendo.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
A Eterna Busca
Vivo querendo renegar alguns sinais que me ocorrem
Talvez por uma insistente necessidade de prova,
Que será sempre superada por uma nova dúvida a cada novo indício que me surja
Quero a resposta, mas não me decido ao certo em emitir a verdadeira pergunta
Pode ser que deseje materializar o imponderável
Tarefa árdua essa, a de dar forma ao que é etéreo
Caio, me espezinho, me lambuzo, me regozijo, me revolto... me desespero, ou nem tanto
Paro, me recomponho, me arremeto, me arrefeço, me dedico... me resgato, ou alguém o faz por mim
A cada novo ciclo desse sinto que algo muda
E o mais mágico: a resposta me toca na alma
É através dela que mais entendo
É pela intuição do bem e do amor que a vida me disciplina
Por mais estudante rebelde que eu me revele
Ela está sempre ali, professora-mãe-doutora, pra me impulsionar pro que de bom eu vim aqui fazer
Eu me resumo mais uma vez pra entender
Entender quem agora eu sou pra receber o que vem
Mas nesse instante eu só consigo sentir...
E talvez essa seja a verdadeira tarefa humana
Sentir a vida, e não entendê-la
Talvez por uma insistente necessidade de prova,
Que será sempre superada por uma nova dúvida a cada novo indício que me surja
Quero a resposta, mas não me decido ao certo em emitir a verdadeira pergunta
Pode ser que deseje materializar o imponderável
Tarefa árdua essa, a de dar forma ao que é etéreo
Caio, me espezinho, me lambuzo, me regozijo, me revolto... me desespero, ou nem tanto
Paro, me recomponho, me arremeto, me arrefeço, me dedico... me resgato, ou alguém o faz por mim
A cada novo ciclo desse sinto que algo muda
E o mais mágico: a resposta me toca na alma
É através dela que mais entendo
É pela intuição do bem e do amor que a vida me disciplina
Por mais estudante rebelde que eu me revele
Ela está sempre ali, professora-mãe-doutora, pra me impulsionar pro que de bom eu vim aqui fazer
Eu me resumo mais uma vez pra entender
Entender quem agora eu sou pra receber o que vem
Mas nesse instante eu só consigo sentir...
E talvez essa seja a verdadeira tarefa humana
Sentir a vida, e não entendê-la
sábado, 17 de julho de 2010
Acordando...
Na manhã vencida pelo sono tardio, acordo mais uma vez para o mundo
Ouço os sons que entram pela janela e pelas frestas da porta
A cama me chama mais um pouco, o colchão me quer, o cobertor me abraça
A mente diz: Faça algo! Planeje! Mova-se!
O corpo fala: Acalma-te! Aguarda! Espera-me!
O banho me torna mais consciente (será?)
O banho me desperta um pouco mais
Troco o barulho do dia pela trilha sonora que eu mesmo escolho
O dia hoje vai começar lento
Lenta é a minha volta ao mundo dos despertos
Ponho-me a pensar qual será a tônica do dia
O ronco do estômago me lembra que antes disso devo comer algo
Movo-me em direção à cozinha para satisfazer-me com um sabor diferente dos demais dias
Afinal, hoje é sábado e a rotina pede pra ser deixada de lado, pois tirou férias e só volta na segunda
Saciada a fome do início do dia, resta a surpresa da encomenda na mesa
Fruto da ânsia do resgate de mim mesmo, as primeiras páginas não me convencem
Martelando conceitos que já não mais, ou talvez nunca, se justicaram na minha mente
Já penso em abandoná-la nos poucos minutos seguintes
É quando relembro os últimos momentos em que me senti acordado
Olho a luz que bate no prédio ao lado
É a luz do sol
É apenas uma parede que recebe a luz do quase meio-dia
Há menos de uma semana talvez ela não dissesse nada além disso aos meus olhos
Mas hoje, não. Não a partir daquele momento
Não agora que acordei
Agora que acordei para a luz que bate na parede
Que acordei para o frio da finada manhã que me chama de volta pra cama
Que acordei para a melodia que vem lá de dentro e me inspira
Que acordei pra ler, ver e ouvir Lucinda
Que acordei para a retomada
Enfim, agora que acordei para a POESIA.
P.S: Essa é pra vc, minha querida Amanda, a salva-vidas que me despertou.
Ouço os sons que entram pela janela e pelas frestas da porta
A cama me chama mais um pouco, o colchão me quer, o cobertor me abraça
A mente diz: Faça algo! Planeje! Mova-se!
O corpo fala: Acalma-te! Aguarda! Espera-me!
O banho me torna mais consciente (será?)
O banho me desperta um pouco mais
Troco o barulho do dia pela trilha sonora que eu mesmo escolho
O dia hoje vai começar lento
Lenta é a minha volta ao mundo dos despertos
Ponho-me a pensar qual será a tônica do dia
O ronco do estômago me lembra que antes disso devo comer algo
Movo-me em direção à cozinha para satisfazer-me com um sabor diferente dos demais dias
Afinal, hoje é sábado e a rotina pede pra ser deixada de lado, pois tirou férias e só volta na segunda
Saciada a fome do início do dia, resta a surpresa da encomenda na mesa
Fruto da ânsia do resgate de mim mesmo, as primeiras páginas não me convencem
Martelando conceitos que já não mais, ou talvez nunca, se justicaram na minha mente
Já penso em abandoná-la nos poucos minutos seguintes
É quando relembro os últimos momentos em que me senti acordado
Olho a luz que bate no prédio ao lado
É a luz do sol
É apenas uma parede que recebe a luz do quase meio-dia
Há menos de uma semana talvez ela não dissesse nada além disso aos meus olhos
Mas hoje, não. Não a partir daquele momento
Não agora que acordei
Agora que acordei para a luz que bate na parede
Que acordei para o frio da finada manhã que me chama de volta pra cama
Que acordei para a melodia que vem lá de dentro e me inspira
Que acordei pra ler, ver e ouvir Lucinda
Que acordei para a retomada
Enfim, agora que acordei para a POESIA.
P.S: Essa é pra vc, minha querida Amanda, a salva-vidas que me despertou.
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