A insatisfação que abraça o homem não tem tamanho
Sua insensatez em não saber o que buscar lhe consome
Não importa que graças alcance
Não importa que mazelas lhe tomem
Sua ânsia é pelo incerto
Sua maldição é seguir
Não importa quantas bocas lhe toquem
Não importa quantos corações capture
Seu grito silencioso lhe ensurdece
Seu tédio lhe boceja ao ouvido
Não importa quantos sóis lhe aqueçam
Não importa os mares que cruze
Sua andança será por si mesmo
Seu destino será pro abismo
Não importa a fundura da queda
Não importa a dureza do chão
Sua dúvida lhe faz frio algoz
Seu encanto, irresistível vilão
Muitos lhe querem, poucos lhe importam
Tantos lhe viram, alguns lhe observam
Mas ninguém, talvez nem ele me mesmo
Realmente venha um dia a se enxergar.
"Ao escolher palavras com que narrar minha angústia, eu já respiro melhor. A uns Deus quer doentes, a outros quer escrevendo." Adélia Prado
sábado, 26 de novembro de 2011
sábado, 17 de setembro de 2011
Pacotes Vazios
Tento desembrulhar os meus sonhos
Procuro nas caixas e pacotes da mudança
Cadê o que pus aqui?
Deve ter sido a transportadora, só pode ser
Aquele povo não sabe lidar com o que é frágil
Tava tudo lá, embaladinho
Guardei com carinho, pois sabia que era só por um instante
Eu ia só mudar de ares
Já sabia de tudo, detalhe por detalhe
Depois da chegada, era só desempacotar os quadros e pôr na parede
Sentava na sala, punha uma boa música
E sentia, e dormia... e voltava a sonhar
Caixas rompidas
Pratos quebrados
Tudo desbotado
Foi chuva em caminhão aberto?
Nem sequer uma lona para proteger
Seria mais caro?
Eu arcaria com os custos, bastava avisar que era assim
Como se volta a sonhar com o colchão encharcado?
Vou ter sonhos de neve
O sol derrete todos eles
Um cobertor de gelo não me protege
Me paralisa
Não deveria ter assinado antes da conferência
Eu e essa minha boa-fé, que tanto me bota em enrascadas
Agora é lidar com os cacos
Meus dedos pregaram de tanta cola, e pra quê?
Vida de remendos
Nunca a mesma forma de outrora
O que foi cristal hoje é pó transparente
Imagens opacas, lentidão, desesperança
Até o relógio parou
Martelaram o ponteiro do tempo
As pilhas não lhe dão corda, tampouco a mim
Vou fechar os olhos e me vestir de espera
Vou deitar no escuro e me cobrir de tristeza
Vou chorar sentido já que gritos soam em vão
Vou cerrar os lábios e não discutir
Tenho encontro marcado daqui a pouco
No quarto, eu e ela: a solidão.
Procuro nas caixas e pacotes da mudança
Cadê o que pus aqui?
Deve ter sido a transportadora, só pode ser
Aquele povo não sabe lidar com o que é frágil
Tava tudo lá, embaladinho
Guardei com carinho, pois sabia que era só por um instante
Eu ia só mudar de ares
Já sabia de tudo, detalhe por detalhe
Depois da chegada, era só desempacotar os quadros e pôr na parede
Sentava na sala, punha uma boa música
E sentia, e dormia... e voltava a sonhar
Caixas rompidas
Pratos quebrados
Tudo desbotado
Foi chuva em caminhão aberto?
Nem sequer uma lona para proteger
Seria mais caro?
Eu arcaria com os custos, bastava avisar que era assim
Como se volta a sonhar com o colchão encharcado?
Vou ter sonhos de neve
O sol derrete todos eles
Um cobertor de gelo não me protege
Me paralisa
Não deveria ter assinado antes da conferência
Eu e essa minha boa-fé, que tanto me bota em enrascadas
Agora é lidar com os cacos
Meus dedos pregaram de tanta cola, e pra quê?
Vida de remendos
Nunca a mesma forma de outrora
O que foi cristal hoje é pó transparente
Imagens opacas, lentidão, desesperança
Até o relógio parou
Martelaram o ponteiro do tempo
As pilhas não lhe dão corda, tampouco a mim
Vou fechar os olhos e me vestir de espera
Vou deitar no escuro e me cobrir de tristeza
Vou chorar sentido já que gritos soam em vão
Vou cerrar os lábios e não discutir
Tenho encontro marcado daqui a pouco
No quarto, eu e ela: a solidão.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Por tudo
E pelas lágrimas que me tomam ao ouvir-te minha
E pelos sonhos que idealizo ao saber-me teu
E pelo oco que se forma ante a tua ausência
E pela inchaço de felicidade se te pressinto
E pela confusão de desejos que já não explico
E pelo medo de encerrar os meus dias sem ti
E pelo ciúme de não ser mais quem te acompanha
E pela zanga de imaginar novo inquilino
E pela frustação da distância que nos aparta
E pelo ímpeto de largar a minha vitória
E pela necessidade premente do teu cheiro
E por só querer beber dos teus abraços
E por me sentir apenas metade
Quero-te, amo-te e sou para ti
Quando cruzarás de novo o meu caminho?
E pelos sonhos que idealizo ao saber-me teu
E pelo oco que se forma ante a tua ausência
E pela inchaço de felicidade se te pressinto
E pela confusão de desejos que já não explico
E pelo medo de encerrar os meus dias sem ti
E pelo ciúme de não ser mais quem te acompanha
E pela zanga de imaginar novo inquilino
E pela frustação da distância que nos aparta
E pelo ímpeto de largar a minha vitória
E pela necessidade premente do teu cheiro
E por só querer beber dos teus abraços
E por me sentir apenas metade
Quero-te, amo-te e sou para ti
Quando cruzarás de novo o meu caminho?
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Águas Passarão, Eu Passarinho

Incrível o percurso das águas.
Nascem distante,
Muitas vezes lá na solidão das matas.
Brotam do nada, águas que nascem da terra,
Límpidas em sua essência de pureza cristalina.
Descem morros, desbravam caminhos,
Seguem um rumo inconsciente em direção à imensidão que as abraçará,
Que as recolherá como filhas.
Mesmo que rebentas da terra,
É o mar que como um bom pai as recebe no final.
Em suas andanças de fino córrego tomam volume em seu percurso,
Engrossam seu porte pela união das outras águas.
Alimentam leitos que ficam pra trás,
Porém mais férteis.
Então sua limpidez já não é a mesma.
Houve uma troca de elementos entre água e solo.
Desse encontro o berço da vida foi formado.
Plantou-se a cama pra tudo que seria bem-vindo a nascer.
Banhados em sua correria desenfreada que nunca pára,
Os leitos florescem.
E esperam o retorno das águas que os fizeram belos.
E elas os visitam, sim
Mas agora de cima.
Caem do céu no presente da chuva num delicioso reencontro.
Depois de cumprido seu percurso, estão liberadas pra rever a sua obra
Rejuvenescer seus antigos parceiros
E mais uma vez seguir
Seguir, pois é de sua natureza fluir.
Assim como o é a sua ausência de forma,
Que se molda ao recipiente(ou seria à situação?)
Seu estado é ao sabor da temperatura
Se desejá-la sólida, frieza
Se fugaz, aquece-a
Ou senão banha-te, bebe-a, mergulha em sua liquidez
Pra desfrutar de seus dons é preciso deixá-la água como nasce.
Só não a cerque de represas
Posto que terás torrentes ante o mínimo rompimento.
As águas seguem um ciclo
Se há consciência nele, não sei!
O que sei é da força que me leva ao mar
O que sinto é a placidez de suas águas quão mais profundas e distantes elas são
E não me fale de reter o meu curso!
Mesmo que de lágrimas tenha que encher o meu rio,
Ainda volto de chuva por ti.
Já fomos de chuva uma vez
Acredita na minha capacidade de nuvem e na carona do vento.
Se um dia o teu leito foi minha praia,
Minha praia voltará a ser o teu lar.
sábado, 9 de abril de 2011
Pérola Negra

Houve um tempo que pensei em me perder nos seus olhos
Mas preferi morar em seu coração
Escolha acertada
Por mais longe que essa viagem pudesse me levar
Nada se compararia ao aconchego que hoje encontro no seu colo
Foi seu abraço que me segurou quando não tive mais chão
É de nossa melodia afinada que tenho me nutrido
É da semelhança de nossos sonhos que mais uma vez reafirmo minhas crenças
Nos nossos risos, não poucos, tudo se explica
Assim, simples
Sem maiores palavras
Na marginalidade de nossos segredos
Deliciosamente compartilhados pela fluidez do nosso olhar
A diversão da incógnita definição
Não pra nós
Pois tudo já esteve posto desde muito antes
Desde quando decidimos que nos procuraríamos
E só por isso já vencemos
Já cumprimos parte de nosso acordo
Não preciso que anjos desçam pra me confirmar o que meu peito grita
Você é meu presente
Minha companheira
Minha certeza
Minha linda
E permita-me:
Minha rara jóia
Minha PÉROLA NEGRA
terça-feira, 22 de março de 2011
Comigo Mesmo
Não domino a arte de não ser o que sou
Pancadas não me faltaram pra assimilar a lição
Os tropeços são contínuos e repetitivos
Tentaram a dor
Mandaram a solidão
Experimentaram o diferente
Mas nada
No fundo sou eu quem fico
Se é este que resta, fazer o quê?
Tenho de abraçá-lo
Acalento os seus desejos e sou ombro amigo de mim mesmo
Afinal, quem mais me restará?
Se não eu que estive comigo desde sempre
E assim me manterei até a última dança
Tal qual um pai consciente do seu dever e de suas limitações
Vou acompanhando o crescer desse menino-criança
Apoiando suas quedas
Retomando as lições
Impulsionando o seu futuro
Amando-o por aquilo que é e por tudo o mais em que se transforma.
Pancadas não me faltaram pra assimilar a lição
Os tropeços são contínuos e repetitivos
Tentaram a dor
Mandaram a solidão
Experimentaram o diferente
Mas nada
No fundo sou eu quem fico
Se é este que resta, fazer o quê?
Tenho de abraçá-lo
Acalento os seus desejos e sou ombro amigo de mim mesmo
Afinal, quem mais me restará?
Se não eu que estive comigo desde sempre
E assim me manterei até a última dança
Tal qual um pai consciente do seu dever e de suas limitações
Vou acompanhando o crescer desse menino-criança
Apoiando suas quedas
Retomando as lições
Impulsionando o seu futuro
Amando-o por aquilo que é e por tudo o mais em que se transforma.
domingo, 20 de março de 2011
Dores
Tempo de refúgio
Horas de presságios
Dias de teto de gesso
Momentos de estática espera
Dores que castigam o corpo para enfeitar a alma
Liberdade forçada enviada pelo alheio
Saber celebrá-la é o remédio para a cura
Confirmação dos afetos
Elogios do despreendimento
Entregas sem culpas
Favores sem ônus
Faltas sentidas
Silêncios necessários
Prazeres comedidos
Alívio inesperado
Sossego merecido
Retomar o fôlego
Ressurgir do fundo
Reencontrar o rumo
Reluzir pro mundo
Horas de presságios
Dias de teto de gesso
Momentos de estática espera
Dores que castigam o corpo para enfeitar a alma
Liberdade forçada enviada pelo alheio
Saber celebrá-la é o remédio para a cura
Confirmação dos afetos
Elogios do despreendimento
Entregas sem culpas
Favores sem ônus
Faltas sentidas
Silêncios necessários
Prazeres comedidos
Alívio inesperado
Sossego merecido
Retomar o fôlego
Ressurgir do fundo
Reencontrar o rumo
Reluzir pro mundo
segunda-feira, 7 de março de 2011
Grifos
Acordei nessa manhã segundeira de claro sol e calma frieza
Questionando sobre a minha necessidade de ninho
Visitou-me de breve um cheiro reconhecível
Um odor de reencontro e aconchego-passarinho
Veio e passou
Apenas me despertou
Me atiçou e foi-se
Só pra dizer: " Ainda erro pelo mundo e você aí, não me acha, não me toma pra si."
Eu me viro e me aninho no único abraço que ainda me resta
Lembro de quem habita meu sonho agora
Pois é, já aconteceu de novo
Parei num sorriso que remete a beijos de alegria e prazer
Beijos faceiros de delicioso reconhecimento
De maliciosa promessa
Insisto em ver um encanto por mim que não deve ser meu
Nem sou eu ainda pra que saibas se mereço tanto
Mas se prometes assim, já quero
Já somos nós. Já é!!!
Seu corpo chama pro encaixe
Suas marcas pedem que eu te descubra
Que passeie no traçado rabiscado do teu corpo
E penso ver algo.
Na verdade, eu quero ver mais do que há
Sempre quero enxergar além
E forço a barra, talvez, na maioria das vezes
Faço da minha ilusão a realidade que ainda não existe
E nela me debrusço por instantes demasiadamente longos
É, foi perfume que me visitou
Quando chegou poderia ter trazido apenas memória em sua bagagem
Mas hoje, não
Pros dias de agora, é de promessas que sua mala pesa.
Questionando sobre a minha necessidade de ninho
Visitou-me de breve um cheiro reconhecível
Um odor de reencontro e aconchego-passarinho
Veio e passou
Apenas me despertou
Me atiçou e foi-se
Só pra dizer: " Ainda erro pelo mundo e você aí, não me acha, não me toma pra si."
Eu me viro e me aninho no único abraço que ainda me resta
Lembro de quem habita meu sonho agora
Pois é, já aconteceu de novo
Parei num sorriso que remete a beijos de alegria e prazer
Beijos faceiros de delicioso reconhecimento
De maliciosa promessa
Insisto em ver um encanto por mim que não deve ser meu
Nem sou eu ainda pra que saibas se mereço tanto
Mas se prometes assim, já quero
Já somos nós. Já é!!!
Seu corpo chama pro encaixe
Suas marcas pedem que eu te descubra
Que passeie no traçado rabiscado do teu corpo
E penso ver algo.
Na verdade, eu quero ver mais do que há
Sempre quero enxergar além
E forço a barra, talvez, na maioria das vezes
Faço da minha ilusão a realidade que ainda não existe
E nela me debrusço por instantes demasiadamente longos
É, foi perfume que me visitou
Quando chegou poderia ter trazido apenas memória em sua bagagem
Mas hoje, não
Pros dias de agora, é de promessas que sua mala pesa.
sábado, 5 de março de 2011
Todo Carnaval Tem Seu Fim
Fico muito tempo distante de mim,
Ou isso ou me duplico... me multiplico
Me desfaço em tantos outros quanto me acompanhe a versatilidade do meu pensamento
E não é que volto saudoso pra esse colo de mim mesmo?
Volto pra esse que sonha, que se emociona de poesia
Que idealiza, que ainda se encabula
Que se decide pela entrega
Que sempre há de se entregar
Nos últimos tempos foram muitas as idas e vindas
Nem sei se, dos pedaços que se foram, de tudo tive retorno
Muito menos da qualidade daquilo que voltou
Partículas maculadas remendam o esboço pálido de um idealista solitário
Preso num castelo que não pôde impedir a ruína de suas torres
Sopro aos ouvidos moucos minha filosofia pueril
Recito versos de uma poesia deslocada
Roubo a inspiração de quem nasceu sabendo
Meu festejo é no Bloco do Eu Sozinho
Mascarando as dores que não me abandonam
Reeditando-me em função de cada novo formato
Reuno numa comemoração aquilo que de mim o tempo ainda não usurpou:
A minha insistência em me fazer feliz.
Ou isso ou me duplico... me multiplico
Me desfaço em tantos outros quanto me acompanhe a versatilidade do meu pensamento
E não é que volto saudoso pra esse colo de mim mesmo?
Volto pra esse que sonha, que se emociona de poesia
Que idealiza, que ainda se encabula
Que se decide pela entrega
Que sempre há de se entregar
Nos últimos tempos foram muitas as idas e vindas
Nem sei se, dos pedaços que se foram, de tudo tive retorno
Muito menos da qualidade daquilo que voltou
Partículas maculadas remendam o esboço pálido de um idealista solitário
Preso num castelo que não pôde impedir a ruína de suas torres
Sopro aos ouvidos moucos minha filosofia pueril
Recito versos de uma poesia deslocada
Roubo a inspiração de quem nasceu sabendo
Meu festejo é no Bloco do Eu Sozinho
Mascarando as dores que não me abandonam
Reeditando-me em função de cada novo formato
Reuno numa comemoração aquilo que de mim o tempo ainda não usurpou:
A minha insistência em me fazer feliz.
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