Passos sobre um cemitério de nomes partidos
Conversa de mortos zumbificados
Promessas de um paraíso infernal
Paixões ardentes de efemeridade extrema
Rostos que se agonizam mutuamente
Rasa luxúria ante a profunda carência
Relutância de anjo caído
Malícia de demônio infantil
Fogo represado
Recorrência contínua
Quando a luz no fim do túnel?
Haverá forças para voltar?
Restará íntegro o que um dia foi?
Quão inabalável é a pureza de quem se rende?
Por quantas eras se arrasta o teu carma?
Fecha os olhos que a noite te abraça
E logo o dia te renascerá.
"Ao escolher palavras com que narrar minha angústia, eu já respiro melhor. A uns Deus quer doentes, a outros quer escrevendo." Adélia Prado
domingo, 19 de setembro de 2010
sábado, 18 de setembro de 2010
O Canto do Mar
Aceitei o barulho do mar,
Mesmo que de assalto me encontrasse fisgado.
Com passos firmes na areia molhada, eu soube ouvir.
Ele me cantava com sua voz de imensidão
Pediu-me que deixasse a música de outrora de lado,
Que me inebriasse ao sabor do vento e à quentura do sol
E mais uma vez, meu velho amigo me guiou.
Dancei no vai-e-vem da maré e entre a multidão de passos de fundura passageira.
Depois de ouvir o dueto de ondas e vento,
Já me enxergava refeito de novo.
Íntimo relaxado, corpo ofegante, mergulhei na entrega.
Peito preenchido ainda pelo fascínio do encontro.
Mais ainda, pelo mistério do reencontro.
Saciado na função da justa luta travada,
Tomei-me guerreiro da cruzada de meus próprios medos.
Hasteei minha bandeira da paz quando cruzei a distância entre o meu desejo e o meu receio.
Bravo cavaleiro, guarda tua espada e volta para o teu castelo!
Celebra os louros de tuas conquistas
Publica o canto de tuas vitórias
Adormece na paz do entendimento
Espera certeiro a serenidade das horas.
Mesmo que de assalto me encontrasse fisgado.
Com passos firmes na areia molhada, eu soube ouvir.
Ele me cantava com sua voz de imensidão
Pediu-me que deixasse a música de outrora de lado,
Que me inebriasse ao sabor do vento e à quentura do sol
E mais uma vez, meu velho amigo me guiou.
Dancei no vai-e-vem da maré e entre a multidão de passos de fundura passageira.
Depois de ouvir o dueto de ondas e vento,
Já me enxergava refeito de novo.
Íntimo relaxado, corpo ofegante, mergulhei na entrega.
Peito preenchido ainda pelo fascínio do encontro.
Mais ainda, pelo mistério do reencontro.
Saciado na função da justa luta travada,
Tomei-me guerreiro da cruzada de meus próprios medos.
Hasteei minha bandeira da paz quando cruzei a distância entre o meu desejo e o meu receio.
Bravo cavaleiro, guarda tua espada e volta para o teu castelo!
Celebra os louros de tuas conquistas
Publica o canto de tuas vitórias
Adormece na paz do entendimento
Espera certeiro a serenidade das horas.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Lições
Parece que por fim começo a aprender
Lento como só o tempo sabe ensinar
Porém nunca tardio, pois estou vivo.
A didática da repetição cíclica é inexorável
Implacável assimilação
Sinto-me velho
Não a velhice da carne que definha e fenece
Apenas o saber de mim grão que floresceu
Virei planta crescida e meu destino é dar frutos
Falaram-me da contemplação
Se sou árvore de firme caule,
Tiro do vento que me balança os galhos a sabedoria que me renova as folhas
Firmes raízes me seguram quando tempestade
Foram cavar na terra das experiências vividas a força que as nutre e as mantém fortes
Que bela paisagem formou-se ao meu redor
Certo que não sou floresta tamanha a pequenez de minha formação ainda
Mas, sim, já me sinto jardim,
Pois que rosas de perfume único se avizinham da base que me firma
A grama é verde nos dias de sol
E é irresistível de brincar nos dias de chuva
Tanto se passou até chegar até aqui
Vejo então que esse é o melhor lugar
Porque é feito de tudo que eu tenho presente
É presenteado por tudo que eu tenho feito
É o retrato de minha condição
Meu testamento em vida
Minha herança ante a não morte
Meu resgate no momento oportuno
Minha bênção por querer acreditar
Minha insistência em me fazer feliz
O reconhecimento de que serei eterno
Assim como o vento, a terra, a relva
O aconchego do colo de mãe
O abraço saudoso dos que se obrigam distantes
A aliança de sangue do bem-querer familiar
A celebração da união dos que se amam
Volto pro berço que me criou para fazer ninar os que me aguardam
Retorno homem, senhor de minhas conquistas
Peço-lhes licença para falar de mim e de quem me tornei também por obra deles
Trago comigo presentes encantados do meu novo mundo
Ofereço-lhes a sombra da árvore que me tornei
Convido-lhes a um piquenique à beira-mar
Celebro a nossa história de tantas vidas
Anseio pintar um quadro com nossa fotografia
Para colorir com minhas novas tintas a impressão que o negativo não capta
Quero sujar minhas mãos com as cores dos nossos corações
Ah, saudade que não me faz calar!
Ê, vida que tanto me encanta!
Lento como só o tempo sabe ensinar
Porém nunca tardio, pois estou vivo.
A didática da repetição cíclica é inexorável
Implacável assimilação
Sinto-me velho
Não a velhice da carne que definha e fenece
Apenas o saber de mim grão que floresceu
Virei planta crescida e meu destino é dar frutos
Falaram-me da contemplação
Se sou árvore de firme caule,
Tiro do vento que me balança os galhos a sabedoria que me renova as folhas
Firmes raízes me seguram quando tempestade
Foram cavar na terra das experiências vividas a força que as nutre e as mantém fortes
Que bela paisagem formou-se ao meu redor
Certo que não sou floresta tamanha a pequenez de minha formação ainda
Mas, sim, já me sinto jardim,
Pois que rosas de perfume único se avizinham da base que me firma
A grama é verde nos dias de sol
E é irresistível de brincar nos dias de chuva
Tanto se passou até chegar até aqui
Vejo então que esse é o melhor lugar
Porque é feito de tudo que eu tenho presente
É presenteado por tudo que eu tenho feito
É o retrato de minha condição
Meu testamento em vida
Minha herança ante a não morte
Meu resgate no momento oportuno
Minha bênção por querer acreditar
Minha insistência em me fazer feliz
O reconhecimento de que serei eterno
Assim como o vento, a terra, a relva
O aconchego do colo de mãe
O abraço saudoso dos que se obrigam distantes
A aliança de sangue do bem-querer familiar
A celebração da união dos que se amam
Volto pro berço que me criou para fazer ninar os que me aguardam
Retorno homem, senhor de minhas conquistas
Peço-lhes licença para falar de mim e de quem me tornei também por obra deles
Trago comigo presentes encantados do meu novo mundo
Ofereço-lhes a sombra da árvore que me tornei
Convido-lhes a um piquenique à beira-mar
Celebro a nossa história de tantas vidas
Anseio pintar um quadro com nossa fotografia
Para colorir com minhas novas tintas a impressão que o negativo não capta
Quero sujar minhas mãos com as cores dos nossos corações
Ah, saudade que não me faz calar!
Ê, vida que tanto me encanta!
Encanto dos Olhos
Pergunta-me hoje se acredito no amor!
Ri de meus olhos e não esperes respostas
Todo o meu corpo fala por mim
Já não me pertencem meus pensamentos
Perderam-se na renovação da promessa
Confirmaram-se na relutância do inevitável
Hei sempre de curvar-me a sua força que vem e me toma de assalto
É do encanto dos olhos que falo
É da promessa do momento do beijo
Há de ser o encaixe do abraço a minha eterna rendição
Não espero do amor que me habite perene e imutável,
Mas que me renove sempre, singelo, menino e faceiro
E se mesmo assim insistes em saber de minha crença,
Abre tua janela e veja entrar o dia
É assim que me sinto quando o amor me visita
Brisa quente matutina que afasta o frio temeroso da noite vazia
Ri de meus olhos e não esperes respostas
Todo o meu corpo fala por mim
Já não me pertencem meus pensamentos
Perderam-se na renovação da promessa
Confirmaram-se na relutância do inevitável
Hei sempre de curvar-me a sua força que vem e me toma de assalto
É do encanto dos olhos que falo
É da promessa do momento do beijo
Há de ser o encaixe do abraço a minha eterna rendição
Não espero do amor que me habite perene e imutável,
Mas que me renove sempre, singelo, menino e faceiro
E se mesmo assim insistes em saber de minha crença,
Abre tua janela e veja entrar o dia
É assim que me sinto quando o amor me visita
Brisa quente matutina que afasta o frio temeroso da noite vazia
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