"Ao escolher palavras com que narrar minha angústia, eu já respiro melhor. A uns Deus quer doentes, a outros quer escrevendo." Adélia Prado
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Cotidiano
Tem dias que o seu espírito acorda insuportavelmente inquieto. É uma angústia de "não-sei-quê". Você questiona até o porquê de ter comprado o creme dental daquela marca. Refaz mentalmente sua trajetória até ali. Ensaia mil e uma maneiras de começar o dia diferente, mas acaba no automatismo que lhe é peculiar pela manhã. Promete que, desde então, marcará finalmente na agenda todas as coisas que des...de janeiro já deveriam ter sido postas em prática. Desliga a TV pois aquela repetição de notícias corriqueiras lhe aborrece sobremaneira. Desiste de ouvir aquela música que deveria lhe animar. Come algo diferente na esperança de entorpercer a mesmice através da gula e no meio do caminho se irrita por pensar na trabalheira que vai dar perder aqueles quilos que, óbvio, você não vai ganhar apenas naquela refeição. Quando menos percebe, já está sentado na sua mesa de trabalho, após ter visto pela janela do trânsito milhões de cenas que lhe causaram indignação, impotência, revolta e desânimo. Faz a sua melhor cara de contente e se prepara para disparar "bom-dias" e sorrisos amarelos a todos aqueles que, forçosamente, se presta a conviver durante um terço do seu dia. Recomeça a contagem regressiva diária para a finalização de mais um dia "mais ou menos" na sua vida. Repassa na memória os sonhos guardados, os medos contidos e as incertezas vencidas. Espera que dessa vez se emende e reza pra que a enchurrada de pensamentos se transforme, definitamente, em acões.
Assinar:
Comentários (Atom)