"Ao escolher palavras com que narrar minha angústia, eu já respiro melhor. A uns Deus quer doentes, a outros quer escrevendo." Adélia Prado

domingo, 19 de setembro de 2010

Abismo

Passos sobre um cemitério de nomes partidos
Conversa de mortos zumbificados
Promessas de um paraíso infernal
Paixões ardentes de efemeridade extrema
Rostos que se agonizam mutuamente
Rasa luxúria ante a profunda carência
Relutância de anjo caído
Malícia de demônio infantil
Fogo represado
Recorrência contínua
Quando a luz no fim do túnel?
Haverá forças para voltar?
Restará íntegro o que um dia foi?
Quão inabalável é a pureza de quem se rende?
Por quantas eras se arrasta o teu carma?
Fecha os olhos que a noite te abraça
E logo o dia te renascerá.

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