"Ao escolher palavras com que narrar minha angústia, eu já respiro melhor. A uns Deus quer doentes, a outros quer escrevendo." Adélia Prado

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Águas Passarão, Eu Passarinho



Incrível o percurso das águas.
Nascem distante,
Muitas vezes lá na solidão das matas.
Brotam do nada, águas que nascem da terra,
Límpidas em sua essência de pureza cristalina.
Descem morros, desbravam caminhos,
Seguem um rumo inconsciente em direção à imensidão que as abraçará,
Que as recolherá como filhas.
Mesmo que rebentas da terra,
É o mar que como um bom pai as recebe no final.
Em suas andanças de fino córrego tomam volume em seu percurso,
Engrossam seu porte pela união das outras águas.
Alimentam leitos que ficam pra trás,
Porém mais férteis.
Então sua limpidez já não é a mesma.
Houve uma troca de elementos entre água e solo.
Desse encontro o berço da vida foi formado.
Plantou-se a cama pra tudo que seria bem-vindo a nascer.
Banhados em sua correria desenfreada que nunca pára,
Os leitos florescem.
E esperam o retorno das águas que os fizeram belos.
E elas os visitam, sim
Mas agora de cima.
Caem do céu no presente da chuva num delicioso reencontro.
Depois de cumprido seu percurso, estão liberadas pra rever a sua obra
Rejuvenescer seus antigos parceiros
E mais uma vez seguir
Seguir, pois é de sua natureza fluir.
Assim como o é a sua ausência de forma,
Que se molda ao recipiente(ou seria à situação?)
Seu estado é ao sabor da temperatura
Se desejá-la sólida, frieza
Se fugaz, aquece-a
Ou senão banha-te, bebe-a, mergulha em sua liquidez
Pra desfrutar de seus dons é preciso deixá-la água como nasce.
Só não a cerque de represas
Posto que terás torrentes ante o mínimo rompimento.
As águas seguem um ciclo
Se há consciência nele, não sei!
O que sei é da força que me leva ao mar
O que sinto é a placidez de suas águas quão mais profundas e distantes elas são
E não me fale de reter o meu curso!
Mesmo que de lágrimas tenha que encher o meu rio,
Ainda volto de chuva por ti.
Já fomos de chuva uma vez
Acredita na minha capacidade de nuvem e na carona do vento.
Se um dia o teu leito foi minha praia,
Minha praia voltará a ser o teu lar.

3 comentários:

  1. Goiânia, 02 de junho de 2011. Tendo que aceitar o que está posto.

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  2. Tomara que a essência humana esteja na água que compõe nossa carne.
    Só assim, nesse ciclo das águas, teríamos a certeza do renascimento.

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  3. "Não me prendas,
    sou como água
    que sairá por entre
    teus dedos..."

    Necessário aceitar o curso escolhido pelas águas, a fluidez da vida.

    Sou sua fã incondicional.

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