"Ao escolher palavras com que narrar minha angústia, eu já respiro melhor. A uns Deus quer doentes, a outros quer escrevendo." Adélia Prado

segunda-feira, 7 de março de 2011

Grifos

Acordei nessa manhã segundeira de claro sol e calma frieza
Questionando sobre a minha necessidade de ninho
Visitou-me de breve um cheiro reconhecível
Um odor de reencontro e aconchego-passarinho
Veio e passou
Apenas me despertou
Me atiçou e foi-se
Só pra dizer: " Ainda erro pelo mundo e você aí, não me acha, não me toma pra si."
Eu me viro e me aninho no único abraço que ainda me resta
Lembro de quem habita meu sonho agora
Pois é, já aconteceu de novo
Parei num sorriso que remete a beijos de alegria e prazer
Beijos faceiros de delicioso reconhecimento
De maliciosa promessa
Insisto em ver um encanto por mim que não deve ser meu
Nem sou eu ainda pra que saibas se mereço tanto
Mas se prometes assim, já quero
Já somos nós. Já é!!!
Seu corpo chama pro encaixe
Suas marcas pedem que eu te descubra
Que passeie no traçado rabiscado do teu corpo
E penso ver algo.
Na verdade, eu quero ver mais do que há
Sempre quero enxergar além
E forço a barra, talvez, na maioria das vezes
Faço da minha ilusão a realidade que ainda não existe
E nela me debrusço por instantes demasiadamente longos
É, foi perfume que me visitou
Quando chegou poderia ter trazido apenas memória em sua bagagem
Mas hoje, não
Pros dias de agora, é de promessas que sua mala pesa.

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