"Ao escolher palavras com que narrar minha angústia, eu já respiro melhor. A uns Deus quer doentes, a outros quer escrevendo." Adélia Prado

sábado, 18 de setembro de 2010

O Canto do Mar

Aceitei o barulho do mar,
Mesmo que de assalto me encontrasse fisgado.
Com passos firmes na areia molhada, eu soube ouvir.
Ele me cantava com sua voz de imensidão
Pediu-me que deixasse a música de outrora de lado,
Que me inebriasse ao sabor do vento e à quentura do sol
E mais uma vez, meu velho amigo me guiou.
Dancei no vai-e-vem da maré e entre a multidão de passos de fundura passageira.
Depois de ouvir o dueto de ondas e vento,
Já me enxergava refeito de novo.
Íntimo relaxado, corpo ofegante, mergulhei na entrega.
Peito preenchido ainda pelo fascínio do encontro.
Mais ainda, pelo mistério do reencontro.
Saciado na função da justa luta travada,
Tomei-me guerreiro da cruzada de meus próprios medos.
Hasteei minha bandeira da paz quando cruzei a distância entre o meu desejo e o meu receio.
Bravo cavaleiro, guarda tua espada e volta para o teu castelo!
Celebra os louros de tuas conquistas
Publica o canto de tuas vitórias
Adormece na paz do entendimento
Espera certeiro a serenidade das horas.

2 comentários:

  1. 18 de setembro de 2010, no avião, voltando pra Gyn depois de dias junto à família e amigos.

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  2. Como é bonito o mar! Como nos acalma seu ruído que silencia, faz calar... E quão magnífico é nosso encontro com suas águas, o encontro do homem com a natureza, do homem com seu próprio ser...

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