Parece que por fim começo a aprender
Lento como só o tempo sabe ensinar
Porém nunca tardio, pois estou vivo.
A didática da repetição cíclica é inexorável
Implacável assimilação
Sinto-me velho
Não a velhice da carne que definha e fenece
Apenas o saber de mim grão que floresceu
Virei planta crescida e meu destino é dar frutos
Falaram-me da contemplação
Se sou árvore de firme caule,
Tiro do vento que me balança os galhos a sabedoria que me renova as folhas
Firmes raízes me seguram quando tempestade
Foram cavar na terra das experiências vividas a força que as nutre e as mantém fortes
Que bela paisagem formou-se ao meu redor
Certo que não sou floresta tamanha a pequenez de minha formação ainda
Mas, sim, já me sinto jardim,
Pois que rosas de perfume único se avizinham da base que me firma
A grama é verde nos dias de sol
E é irresistível de brincar nos dias de chuva
Tanto se passou até chegar até aqui
Vejo então que esse é o melhor lugar
Porque é feito de tudo que eu tenho presente
É presenteado por tudo que eu tenho feito
É o retrato de minha condição
Meu testamento em vida
Minha herança ante a não morte
Meu resgate no momento oportuno
Minha bênção por querer acreditar
Minha insistência em me fazer feliz
O reconhecimento de que serei eterno
Assim como o vento, a terra, a relva
O aconchego do colo de mãe
O abraço saudoso dos que se obrigam distantes
A aliança de sangue do bem-querer familiar
A celebração da união dos que se amam
Volto pro berço que me criou para fazer ninar os que me aguardam
Retorno homem, senhor de minhas conquistas
Peço-lhes licença para falar de mim e de quem me tornei também por obra deles
Trago comigo presentes encantados do meu novo mundo
Ofereço-lhes a sombra da árvore que me tornei
Convido-lhes a um piquenique à beira-mar
Celebro a nossa história de tantas vidas
Anseio pintar um quadro com nossa fotografia
Para colorir com minhas novas tintas a impressão que o negativo não capta
Quero sujar minhas mãos com as cores dos nossos corações
Ah, saudade que não me faz calar!
Ê, vida que tanto me encanta!
Caramba!!!!!! Que coisa linda... me encheu os olhos de água. Falarei dessa tua poesia pra ti. A experiência que me causou foi incrível. E que bom que veio hoje... logo hoje que eu me sentia a folha mais seca do jardim de outono que jaz naquela tarde ressequida pela dor do desamor, da contradição. Mas agora, revivo, canto, danço e contigo, meu amigo. Hoje, meu anjo cuidador.
ResponderExcluirComemoremos então diante de nosso jardim. Ele foi plantado a duas mãos. Nada mais faz do que colher o que plantou nessa terra que sou eu.
ResponderExcluirVida que me encanta, poesia que me encantou! Cada palavra significada e ressignificada por cada um que a lê e relê. Cada verso enraizado no coração do leitor (também aqui escritor, na interpretação e recriação do dito, e por vezes do não dito, ou não querido dizer)...
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